sexta-feira, 18 de março de 2011

É tudo o que eu tenho a dizer do sismo:

Como seria perdermos tudo?
Cama, casa, conforto?
Como seria perder a doce ilusão de ter uma vida melhor, a esperança de um dia encontrar um emprego melhor remunerado, mudar de casa, trocar de estilo de vida e passar-se a contentar por se ter conseguido um colchão velho e um cobertor, expoente máximo de conforto num sítio onde as paredes choram de pesar pela melancolia das gentes que nada têm, nada anseiam?
Onde todos transpiram lágrimas, pois já não há lágrimas para carpir e onde o próximo desafio é debater-se pelo último cobertor num campo de destroços humanos.
Como seria viver-se assim?
Rodeados por pessoas desconhecidas, por desgosto e negrume?
Ás vezes não nos damos conta da sorte que temos, do aconchego do qual usufruímos todos os dias.
Como diz uma canção:
«We never miss the water until it's gone (...)».
E é para isso mesmo que eu quero alertar, para darmos valor às coisas que temos, para valorizarmos todos os dias o bom prato de comida que temos na frente, em vez de nos lamentarmos o não ter ido a um bom restaurante.
Temos que despertar em nós um bocadinho de comodismo, porque contentar-se com o que se tem não é sinal de falta de ambição, e pode ser antes um indício de felicidade.
É esse grande propósito, a grande finalidade da nossa existência!
Em vez de nos lamentarmos do que não temos, devemos agradecer o que de facto temos, pois é essa a essência da vida: ser feliz!

8 comentários:

Salsa disse...

Verdade nesta vida tudo passa, quando se forem os anéis e as pulseiras só conta o quanto fomos felizes.
Muitos de nos vivemos para podermos adquirir bens materiais que por sua vez mostramos aos outros. No entanto aquilo que feveriamos mostrar é o quanto somos estimados pelos nossos semelhantes (ascendentes, descendentes e amigos) porque sim isso realmente é o que importa quando tudo o resto se foi.

Tânia (Mamã do Santiago) disse...

Ainda nós nos queixamos de nada n é???
Mas pronto temos de nos queixar é dos nossos problemas...mas so de pensar nisso da-me um nó :(

Observador disse...

Totalmente de acordo com o texto.

Um aplauso.

cristina claro disse...

O ser humano é a criatura mais insatisfeita que existe à face da Terra!!!!!!!!

Quer sempre mais, melhor, mtas vezes sem olhar a meios para atingir os seus objectivos, atropelando, prejudicando, mentindo, roubando, ameaçando, chantageando, etc...

Perde a sua humanidade ao ter estes comportamentos!!!!!!!!!

Qtas vezes eu bati na boca, qdo deixei escapar: " Credo, tenho tanta fome que se não comer já, caio para o lado" !!!!!!!! por momentos esquecemo-nos que muitos milhões de pessoas, têm pouquíssimo que comer, e que aquilo que nós comemos numa só refeição, para essas pessoas tem de dar para a semana inteira!!!!!!!!!

Nc fui de exigir coisas de marca, nc ansiei tais grandezas, o q ansiei sp era um pai presente como o das outras crianças...

Não devemos negar comida a ngm, mas eu dinheiro só dou em peditórios credenciados...Já paguei mtos lanches e pequenos-almoços a pessoas sedentas de fome e sede...

Mas tb levei mtos nãos, kdo lhes disse q lhes pagava o q quisessem comer e eles danados, pq preferiam o dinheiro me viravam descaradamente as costas!!!!!!!!

Euphoria* disse...

Ainda vi um filme ( o dia em que a Terra parou, que passava a mensagem, de que o Homem, só muda, quando se vê em situações extremas! Infelizmente, ás vezes é preciso perder tudo, para se dar valor ao que se tinha!

Bom mas vinha cá deixar-te um miminho.
http://euphoriacolors.blogspot.com/2011/03/um-miminho-para-as-amigas.html

bjokas

mfc disse...

Só damos realmente valor às coisas (e pessoas) quando as perdemos!
Não podia concordar mais contigo!

Close up! disse...

Magnificamente escrito, este texto dá muito o que pensar.
Mas é um facto que temos que valorizar o que temos e pensar que somos uns sortudos por, por exemplo, vivermos neste país, porque apesar da crise e de outros infortúnios, não tem uma taxa de violência tão alta como noutros e poucas catástrofes naturais de monta acontecem.

Ana FVP disse...

Bem, dá que pensar mesmo...